terça-feira, 4 de maio de 2010

Playing for Change

Continuando com a campanha pela Paz na Internet, trago uma bela canção tocada por músicos diferentes em vários países. Esse projeto é bem interessante, e tem muito a ver com o que penso hoje em dia. Paz não é pieguice, é atitude. Enjoy it.





segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pela paz na Internet


Na internet estamos habituados a ler todo tipo de xingamento e discurso de ódio, mas no convívio cara a cara em geral somos mais civilizados. Uma leitura possível sobre essa contradição seria a de que no fundo somos todos bestas agressivas e preconceituosas, e essa “verdade essencial” se manifesta quando não temos o olho no olho. Outra leitura tentaria dar conta dos tipos de discurso específicos para cada contexto, sem se importar com “verdades essenciais”, mas analisando detalhadamente as condições de produção desses discursos. Prefiro a última, evidentemente.
No anonimato de nossos quartos facilmente cedemos às tentações de nos sentirmos poderosos e donos da verdade, sem precisar encarar um conflito de fato. Bom, sabendo disso, e sem querer entrar no campo da análise de discurso, venho propor o seguinte: que a Internet seja como um salão de festa. Explico. Que tenhamos ao escrever aqui neste espaço os mesmos cuidados e ponderações que temos quando estamos em um aniversário em casa de gente que não conhecemos muito bem.
Já há gente demais no mundo “desabafando”, precisamos ir além disso. Vamos desabafar com amigos, parentes, psicólogo, autoridade religiosa, conforme o gosto de cada um, mas vamos deixar este espaço mais limpo, mais criativo, cheio de idéias legais ao invés dessa agressão banalizada.
Eu não respeito quem “tem coragem de dizer o que pensa”. Respeito quem sabe a hora de falar e a hora de calar. Respeito quem abre mão de ficar gritando sua opiniãozinha de criança mimada aos quatro ventos, quem sabe lidar com o silêncio. Quem sabe cair como as folhas nestas tardes curtas de outono. 






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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O senso comum é tri violento


Será que a única coisa que tem essência é a baunilha? Que tudo o que somos é complexo, multifacetado e construído socialmente, que não há uma essência metafísica imutável? Em caso afirmativo, abre-se um campo imenso para a liberdade individual. Imaginem: a cor da pele é apenas um dado genético, nada diz sobre o caráter, as potencialidades da pessoa. O time para o qual se torce, o lugar onde nascemos, a religião ou partido político ao qual aderimos...tudo apenas pequenos elementos que se perdem na complexidade que forma um ser humano. Rotular é isso: escolher aleatoriamente um desses milhares de elementos que nos compõem e dizer que ele é o que de fato nos define.
O que me define como pessoa pode ser uma tarde em que olhei a chuva na Praça da República, mas como isso vai caber no rótulo? Ou o esforço que fiz para comprar um apartamento, o fato de preferir manteiga a margarina... de todo o amontoado por vezes caótico de experiências, sensações, valores e preferências que carregamos, e tudo o que esquecemos, é que falamos quando nos referimos a nós mesmos. E isso tudo pode mudar muito em dois, três ou nove anos.
Deixemos a essência para a baunilha, e tentemos olhar o mundo de modo menos apressado. O senso comum, que nos leva a buscar respostas simples e confortáveis, carrega consigo uma violência real e simbólica muito grande. A preguiça e a má vontade para com a complexidade do mundo têm trazido conseqüências terríveis, a história é rica em exemplos. O senso comum nos leva a excluir, desprezar, ridicularizar e fechar portas.
Ir além disso dá trabalho, eu sei, mas vale a pena: ampliar ao invés de reduzir. Expandir e incluir, ao invés de limitar e barrar. A diferença, ao invés da monótona ditadura dos iguais, o mundo como ele é, não como nossos pais disseram que deveria ser.

domingo, 4 de abril de 2010

Délibáb




Já é uma tradição escrever algo sobre o primeiro vento do outono. Hoje, 4 de abril, o clima volta a ficar civilizado de novo. E este ano uma bela novidade: disco novo de Vítor Ramil. Treze anos depois do antológico Ramilonga, Vítor lança um trabalho só com letras de Borges e do poeta gaúcho João da Cunha Vargas, revisitando e ajudando a recriar o imaginário da milonga. Para aqueles que (como eu) consideram Ramilonga seu melhor disco, este trabalho novo chamado Délibáb é um prato cheio.
Vítor faz milonga do sul e do mundo, com uma entonação própria. Ele não grita, não é ufanista, não quer mostrar que é machão e rei da cocada preta. Ele é sutil. Ele é inquieto e paciente, e vem depurando seu som ano após ano, com disciplina e método, bem ao estilo de sua estética do frio. Não é exagero dizer que é um dos maiores compositores de música brasileira de nossa era.
Nos últimos vinte anos já tive o privilégio de ver e conversar com ele várias vezes, seja em Belém ou em Porto Alegre. E a cada vez sinto o amadurecimento de uma proposta estética, de um artista como poucos em atividade. Ele não foge da teoria, mas também não se deixa ficar cerebral e intelectualóide demais.
Quando falei a ele que vim do norte e me aquerenciei aqui pelo sul, ele disse: “igual o personagem do meu livro”. De certa forma somos personagens de livros de Vítor Ramil, ou talvez ele seja um personagem de um livro nosso. Como alguém da Amazônia pode entender e sentir a milonga como se fosse uma coisa sua, tão próxima como um suco de cupuaçu? De alguma maneira misteriosa não só eu, mas a cidade de Belém tem desenvolvido há décadas, desde aqueles antológicos shows no Centur no final dos anos 80, uma relação peculiar com Vítor Ramil. Fora do Rio Grande do Sul é lá o lugar em que ele mais tem público, que mais quer ouvi-lo e entendê-lo. Isso me causa orgulho.
Ouvi o disco novo apenas duas vezes, pouco ainda para arriscar comentários. Há que se ter paciência, que ouvir com atenção, sentindo finalmente o vento de outono que leva embora aquele verão infernal. Chama a atenção, evidentemente, ele ter um convidado de luxo como Caetano Veloso, e a bela regravação de Deixando o pago, cujos versos encerram este comentário.

“alcei a perna no pingo

e saí sem rumo certo
olhei o pampa deserto
e o céu fincado no chão
troquei as rédeas de mão
mudei o pala de braço
e vi a lua no espaço
clareando todo o rincão

e a trotezito no mais

fui aumentando a distância
deixar o rancho da infância
coberto pela neblina
nunca pensei que minha sina
fosse andar longe do pago
e trago na boca o amargo
dum doce beijo de china...”



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quarta-feira, 31 de março de 2010

Amazônia: a grande nação invisível

Em ano de copa do mundo nos questionamos sobre a identidade. Sou brasileiro, e de uma grande região invisível: a Amazônia. Invisível porque aqui no sul pouquíssima gente sabe a diferença entre Amazônia e nordeste, então estou condenado a ser “nordestino”. Nada contra, claro, mas é assim, tenta imaginar a cena: tu é gaúcho, mas tu mora em um lugar onde nove em cada dez pessoas te chamam de paulista. Estranho, não é? Um deslocamento de significado.
Para a maioria dos brasileiros a floresta existe, mas as pessoas da Amazônia não. Quem se importa se há quase dois milhões em Manaus e outros dois milhões em Belém? A cultura amazônica é periférica e semi-invisível, enquanto que a do vizinho nordeste é bem presente na mídia e na cabeça das pessoas.
Pouca gente imagina a alegria que tenho quando digo que sou de Belém e a pessoa diz “Ah, sim, região amazônica”. Aconteceu esta semana, e a pessoa até sabia detalhes da cultura de nossa região. Viva ela!
Um dia a Amazônia vai existir para o Brasil, e vai ser bem mais do que uma mera floresta a ser protegida. Um dia o Brasil vai notar que tem gente lá, muita gente, com uma cultura e uma cara próprias, com uma maneira de falar, uma literatura (Viva Milton Hatoum que nos representa tão bem), música, culinária, enfim, todos os elementos que formam um meio cultural bem peculiar. E bem diferente dos irmãos nordestinos, que respeito e admiro muito, mas que têm lá sua riqueza própria. 



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terça-feira, 30 de março de 2010

Filho pródigo?


Interessante o jogo entre o São José de Porto Alegre (o simpático Zequinha) e o Inter. O time teoricamente pequeno deu um baile no grande. Foi superior em todos os sentidos, e tudo no mesmo estádio onde assistimos o antológico show do REM. Com essa síndrome nacional de paixão pelo Big Brother, volto a considerar que a paixão pelo futebol é algo mais profundo, que acompanha as pessoas pela vida toda, que cria uma história. Não é efêmera, fabricada e de curta duração, mas tem nuances, é comovente, patética e profundamente humana. Primeiros passos de volta ao futebol, então, vamos ver se o retorno se concretiza. 



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Viva Ricky!

As ONGs aplaudem, e este blog idem, a atitude de Ricky Martin. Saindo do armário ele se torna mais um ícone na luta pela democracia no mundo. Viva Ricky, viva a diversidade, e como sempre, uma banana podre para os conservadores e provincianos.



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segunda-feira, 15 de março de 2010

Fim da novela Itautec


Por coincidência a Itautec me ligou dizendo que o laptop estava pronto exatamente no dia em que postei o comentário abaixo. Terão eles lido minha reclamação e prontamente ido satisfazer o cliente, ou tudo é apenas coincidência mesmo? De qualquer modo fica o registro: 45 dias na assistência técnica, de 28 de janeiro a 15 de março. Como será com as outras marcas?

O rio do rock tem vários afluentes

E os anos 80, afinal? São uma década perdida e vazia para o rock, na qual os teclados brega deixaram as guitarras de lado? Uma década em que os cabelos esvoaçantes e as roupas coloridas só perdem em mau gosto para os emos de agora? Pretendo desenvolver aqui porque sim, e porque não acreditar nestas opiniões.
Sim: há muita coisa ruim, mal produzida, tanto no rock quanto na MPB da época. Muita coisa que odiávamos então, agora subitamente adquire um ar de cult só porque nos lembra a nossa adolescência. O tempo suaviza a amargura.
Não: há muita coisa visceral para o mundo do rock, ainda hoje influente. Algumas das melhores bandas dos anos 2000 como Strokes e Interpol têm seu som calcado nas coisas boas dos anos 80. Pixies, Smiths, Cure, U-2, R.E.M., entre tantos outros, ainda fazem tremer as caixas de som com guitarras, baixos e baterias que demonstram a continuidade do bom rock que vem desde os anos 60 e se insinua até hoje.
Falando em linha evolutiva: os anos 60, por maravilhosos que tenham sido, também geraram muita coisa brega e irritante. Idem para todas as outras décadas, e escolher gostar mais de uma ou outra é questão de recorte: meus anos 70 são a disco music, o progressivo, o glitter, a new wave ou o punk? Qual a conexão que desejo fazer com o meu presente?
Falando explicitamente: todas as décadas do nosso amado rock têm seus tesouros, seus clássicos e seu lixo. Algumas vezes o lixo alcança mais a mídia (a atual geração emo), outras vezes as jóias são atiradas em arena pública (Os Beatles sendo perseguidos por fãs histéricas), mas está tudo aí: misturado, fervilhando e pulsando, nosso adolescente de 60 anos que nasceu negro e americano, de mãe soul e pai blues, foi criança e adolescente na Inglaterra, já foi épico e anárquico, já pregou a paz, a psicodelia, a futilidade e a subversão, foi sacana e ingênuo, malandro e porralouca, sério e politicamente correto.
Os anos 80 não são apenas um buraco de efemeridade. São um braço de rio denso e rico, da grande corrente que desde os anos 50 tornou nosso mundo mais dinâmico e pulsante, e que se chama rock and roll.



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sexta-feira, 12 de março de 2010

Cuidado com a Itautec


Amigos, cuidado com a  Itautec. A máquina em si é boa, mas a assistência técnica é ridícula. Meu notebook deu problema e entrei na assistência técnica no dia 28 de janeiro, e até agora nada foi resolvido (está na garantia). Quarenta dias! Eles dizem que falta uma peça, e que têm que esperar que a Itautec mande. A Itautec não responde emails, o 0800 está sempre (mas sempre mesmo) ocupado, e a sensação de frustração e impotência é o que espera quem optar por comprar esta marca. Comprem Dell, Sony, Positivo, o que for, mas passem longe dessa empresa totalmente despreparada, e que só tem descaso e desprezo por seus clientes. 
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segunda-feira, 8 de março de 2010

"El secreto de sus ojos" se llevó el Oscar

Os melhores filmes do Oscar costumam estar na categoria de filme estrangeiro, por uma questão estatística: nela concorrem filmes de centenas de países, enquanto que nas outras apenas os de língua inglesa entram. Este ano consegui assistir A Fita Branca e O Segredo de seus olhos. O primeiro, uma busca inquietante sobre o surgimento da violência entre as crianças de uma pequena vila alemã no início da primeira guerra, é uma peça cinematográfica impactante, lindamente fotografada e que merece ser vista. O vencedor O segredo... é também um grande filme, igualmente denso e bem realizado, e para nós latinos mais próximo, por explorar uma realidade que nos é familiar: a injustiça, o futebol, as esperanças perdidas na ditadura, o humor apesar de tudo.
O excelente cinema argentino representou muito bem nosso continente, e como no cinema não há as rivalidades do futebol, só nos resta celebrar que uma obra desse calibre receba atenção do mundo, quando ele era considerado o azarão do páreo. Não que A Fita Branca tenha menos méritos, longe disso. Mas o Segredo (é segredo/não conte a ninguém...) tem la manera y el sentimiento latinos. Claro, agora que os holofotes vão estar sobre ele, sempre vão haver os arautos do elitismo bradando que não é tão bom assim pelo simples fato de ter sido premiado. Estamos vacinados quanto a isso.
O cinema argentino é consistente, criativo e corajoso, e muitas vezes deixa o nosso esforçado cinema nacional a ver navios. Gol dos argentinos, ou melhor: do Racing de Avellaneda.


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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval: questões sobre diversão e identidade

Lidar com o carnaval é atualizar nossa relação com a diversão e com a identidade. Quanto precisamos de diversão, que preço estamos dispostos a pagar, até que ponto gostar da música que toca é importante, o quanto estamos carentes?
Na nossa querida Belém, uma desvantagem inicial: somos obrigados constantemente a ouvir música que não queremos, seja no ônibus, seja em casa ou na rua, ou seja: a possibilidade de que a diversão alheia nos irrite é muito grande. Reações passionais a ritmos como o axé, o brega e o sertanejo são mais frequentes e justificáveis.
Em nossa organizada e quente Porto Alegre, ouvir música que não se quer é algo bem mais raro. Ônibus silenciosos, vizinhos que respeitam o toque de silêncio das dez da noite, pouquíssima poluição sonora em geral. Muito fácil ser tolerante com a diversão alheia, ela não nos atinge como um soco. Refugiar-nos em livros, discos, filmes e na companhia das pessoas queridas é sempre uma opção digna, especialmente para quem tem ar condicionado em casa (não meu caso, infelizmente).
Outro aspecto do carnaval que incomoda muita gente (mas dois elefantes incomodam muito mais) é a suposta identidade nacional forjada inapelavelmente no samba, no carnaval e no Rio de Janeiro. E nós que ouvimos rock e milonga, como ficamos? E quem gosta de jazz e baião? E o pessoal do heavy metal e do carimbó? Identidade muito limitadora e midiática essa da mulata e do passista no sambódromo. Nós que temos componentes culturais que passam longe desses estereótipos somos menos brasileiros por isso? Desconfio que a quantidade de gente pelo país afora que não se sente à vontade sendo reduzida a uma cacofônica caricatura carioca é bem grande.
Compatriotas que preferem outros ritmos e outras diversões, este país também é nosso.


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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais diferentes? Menos diferentes? Quem se importa? (Revisado)




Muitos gaúchos gostam de dizer que aqui é um país à parte, diferente do resto do Brasil. Dão várias justificativas para isso, das mais caricatas (porque aqui se trabalha) às mais sutis (o processo histórico de fronteira e a proximidade com os países vizinhos). Quanto às caricatas, não vale a pena comentar. Fiquemos com as sutis. Aqui há uma formação sui generis sim, com componentes culturais e históricos peculiares. As guerras contra os castelhanos, as revoluções internas, a influência intelectual e política do positivismo, a idealização de um gaúcho glorioso criada pelo movimento tradicionalista, entre outros elementos, deram uma característica marcante ao sul. Um lugar de cultura própria vibrante, rica e onde sempre há algo a descobrir.
Se eu fosse gaúcho, encerraria o texto aqui. Mas eu vou além. Vou falar da visão que eles têm do Brasil como um bloco indistinto do qual eles seriam diferentes. Visão restrita e problemática para os tempos atuais. Na verdade muitos estados podem gabar-se disso: de ter um processo de formação diferenciado e ser um caso à parte, não pertencendo totalmente ao Brasil. Pernambuco é um deles. Tem uma cultura e uma história próprias, tão interessantes quanto a gaúcha. Minas também. O Pará e o Amazonas também. Muita gente reivindica mais autonomia política e cultural em relação ao eixo Rio-São Paulo. Os amazônidas, o grande povo invisível, podemos dizer que nossa cultura se aproxima mais de países hispânicos vizinhos, tanto da América do Sul como do Caribe. Somos então, diferentes do “resto do Brasil”. A questão é que fora do Rio, São Paulo e provavelmente Brasília, todos podem encontrar material para ser mais diferentes que os outros, porque todos estamos em certa medida na periferia. 
E estas periferias estão se conectando, ou estão ainda dependentes da mediação de Rio e São Paulo?



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domingo, 24 de janeiro de 2010

Nei bate Gessinger com folga



            Dois grandes nomes do rock gaúcho fizeram pocket shows na mesma semana na livraria Fnac, aqui perto de casa: Nei Van Soria e Humberto Gessinger. Um pocket show é um mini show: intimista, com poucos instrumentos, só uma palhinha do trabalho do artista. Nei Van Soria, como todos sabem, foi membro fundador do TNT e dos Cascavelletes, bandas seminais do rock sulista, e tem uma carreira solo que fica mais consistente a cada disco. E o seu Gessinger veio com o projeto atual, chamado Pouca Vogal.
            No show de Nei há lugares sentados disponíveis, e um público variado: adultos, adolescentes, crianças. No show do Pouca Vogal, uma hora antes já há uma fila imensa, e é impossível conseguir lugares sentados. Só olhando de longe, em pé mesmo.
Nei Van Soria chega de modo bem simples, de jeans, tênis e camiseta, e manda ver uma seqüência de belas e inspiradas canções, acompanhado de um gaiteiro (povo do norte: sanfoneiro) muito competente. O público é pequeno, mas é atento e canta junto, incluindo as crianças. O cara olha nos olhos do público, toca o que tem que tocar, sem firulas. Uma postura ao mesmo tempo acessível e profissional.
            Humberto Gessinger é bem diferente. Ele dá a impressão de que está em um estádio lotado, e o público (grande maioria adolescente) parece querer isso mesmo. Muita pose, tudo com aquele gosto artificial do mundo dos pop stars. Nada a ver com o clima de show em livraria. Antes da metade eu já estava olhando o baú das promoções da Fnac, que tem coisas novas e baratas.
            Gostei bastante dos primeiros discos dos Engenheiros, e algumas vezes vi shows deles com muito interesse. Mas “o pop não poupa ninguém”, e a persona que ele mantém agora é chatinha e meio vazia. Ou ele sempre foi assim, e eu é que era adolescente e não percebia?
Em 2010, amigos, ouçam Nei Van Soria, especialmente Jardim Inglês e Cidade Grande, que são dois grandes discos, e assistam o DVD ao vivo que ele está lançando agora, que está muito bom. 
Aqui o site e o blog dele:



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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Mais solitários?



De vez em quando vem alguém com essa conversa de que hoje em dia, mesmo com tantas tecnologias novas, as pessoas são mais solitárias. É como se houvesse existido uma época de ouro das comunicações humanas, na qual as pessoas se entendiam, eram solidárias e todos davam as mãos e cantavam juntos. Posição do alanismo: isso é papo-furado.
Nós, humanos, sempre tivemos dificuldade para nos comunicar, e não é a tecnologia que vai levar a culpa por isso. Temos séculos de guerras, colonialismo, imperialismo, exploração, injustiça e angústias existenciais. Agora, nas últimas décadas então, de repente, não nos comunicamos mais? Vão enganar outro otário, não eu.
É preciso desconfiar das pessoas que têm fobia de tecnologia. Elas podem ser apenas velhinhos simpáticos e resmungões, mas também podem ser uns malas que entoam a monótona cantilena do “No meu tempo é que era bom”.
Estes são os meus tempos, e enquanto eu estiver vivo sempre será o meu tempo.




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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O verdadeiro centro


Já que não pertenço mais ao Norte, e tampouco fui totalmente assimilado pelo Sul, meu lugar seria a verdadeira síntese do país: Minas Gerais. O Rio de Janeiro representa apenas o Rio de Janeiro. Só em Minas há de facto um equilíbrio dos elementos que compõem nossa nacionalidade: a noção de planejamento e organização do Sul, somados à gentileza e simpatia do Norte, além de um toque particularmente mineiro que muito me agrada: a discrição.  Escrevi uns poemas tentando expressar isso, que ficaram meio confusos, talvez, mas têm lá seu interesse. Aqui vão dois deles: 



O meio


Aqui no meio, nem covarde nem medalha
Seguro os cabos de aço que sustentam os dias
As fatias das asas de borboleta
Veleidades de estrangeiro em solo indefinido


Aqui no meio, pedras e moedas raras
Bem só, acompanhado e saltando
Sem sentir o gosto das romãs de Armênias remotas


Aqui no meio, em meu lugar
Sou muito Minas Gerais, sou triangulinho vermelho
Liberdade tardia sobre fundo branco


Aqui caminho e volto para tomar banho




O centro


Sigo mais eu mesmo na solidão de ser
Não um monolito coerente e sólido
Mas camadas de terra revolta, bolo formigueiro
Retalhos de várias pessoas e vários fazeres
Sigo mais eu mesmo, mais Belo Horizonte
(Se meus olhos claros fossem faróis
iluminariam o caminho até a tua casa)
Sigo ao lado desse outro rio, grande
De muitas cores e velas codificadas
Eu as decifro ou as invento, dá igual
Crio os números de uma loteria polifônica
E varro o chão duas, três, nove vezes
Disperso e focado
Concisão e torrentes
Sigo eu mesmo na falta de muitos outros
Dos nomes que caíram de meu bolso
E dos que ainda chegarão em envelope selado
Sigo o caminho espiral do centro do caracol
Onde minhas pernas são felizes
E onde conto fábulas surrealistas antes de dormir




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sábado, 16 de janeiro de 2010

Diálogos



             - Esses tailandeses são todos uns preguiçosos mesmo.
            - Meu avô é tailandês, cara.
            - Bom, nem todos, né, mas a maioria só quer saber de dançar, de ir pra praia...
            - Meu pai é tailandês também.
            - Como eu te digo, pode até ter um ou outro diferente, mas a maioria só quer vida mansa. Nós aqui do Camboja aprendemos o valor do trabalho, da disciplina. Lá, esses tailandeses, com exceção do teu pai e do teu avô, são todos assim mesmo.
            - Minha mãe também.
            - Quê que tem tua mãe?
            - Ela é tailandesa.
            - Bom, ela é uma senhora muito legal, a dona Li Tuang. Outro dia mesmo ela me chamou pra almoçar com vocês, eu tava sem grana. Vocês são todos muito gente fina, cara. Gosto de vocês. Já tão aqui há muito tempo, né? Já se acostumaram com a cultura daqui, já trabalham bastante. Tu mesmo é um cara batalhador, né? Te vejo dia e noite estudando, trabalhando, fazendo projetos. Admiro tua força de vontade, meu.
            - Estamos aqui há três meses. Eu também sou tailandês.
            - Pois é, cara, pra tu ver que a pessoa não pode ser perfeita. Algum defeito tu tinha que ter!


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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As forças e a fragilidade de Avatar


Finalmente assisto um filmo em 3D, o mega sucesso Avatar. A experiência é fascinante a princípio, principalmente pela sensação de profundidade de cada cena. Melhor ainda para quem entende inglês, que nem precisa se distrair com legendas.
Passado o fascínio inicial, tenho que encarar o território estranho do cinema comercial de aventura. Um mundo diferente, com uma lógica própria, com paradigmas aos quais não estou habituado. Um ponto positivo: o filme é abertamente anti-imperialista, bem ao gosto destes tempos pós-coloniais. Didaticamente, com muita paciência, tenta ensinar os americanos que outros povos e culturas não servem só para ser destruídos e conquistados, que há algo que podem aprender conosco. Digo “conosco” porque acho que nos identificamos a princípio com os azulões, ou estarei enganado?
O filme segue sua longa trajetória. Há um discurso ecológico bonito e interessante, que não chega a cair no piegas, e isto é um mérito para esse tipo de filme. A noção de conexão com a natureza que os azulões têm é bem apropriada, assim como a dificuldade dos americanos em entendê-la (que saudade de meus cabelos longos...)
O ponto fraco é evidente: ele não surpreende. Sabemos exatamente o que vai acontecer a todo momento. As únicas surpresas ficam para a parte visual, realmente impressionante. Mas a história se arrasta de maneira esquemática e previsível, mesmo para alguém sem muita experiência no estilo.
Claro, eu posso não ter entendido nada, e não sacado que o que importa mesmo são os efeitos especiais, e os níveis de leitura da história não interessam muito. Devo me dar por satisfeito de ele criticar o imperialismo tão abertamente. Por outro lado, o público de hoje em dia não é ingênuo. Facilmente se descobre o que é avatar, de onde vem, que mitologias estão envolvidas, que tipo de pessoas vão se sentir incomodadas com o filme. Os estratos simbólico, político, narrativo e ideológico nunca estiveram tão acessíveis ao público médio, é questão de dois cliques e quatro neurônios.
O que importa é que se sai do cinema com uma sensação de que valeu a pena, que ele atingiu não apenas os sentidos, e que há sim bastante conteúdo a ser analisado, ao contrário do que eu fico temendo sempre que me aventuro pelo cinema comercial: que seja só correria e explosões sem significado relevante, sem riqueza de composição.
Fechando de maneira coerente com o Alanismo: não importa se seis pessoas ou seis bilhões assistiram o filme, o que importa é o que ele teve a dizer para mim. E sim, ele falou e mostrou bastante.


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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Amor Livre




Amigos paraenses, ainda se pratica por aí o amor livre? Lembro que nos anos 90 se lia Roberto Freire, se falava como era careta querer exclusividade, como éramos descolados e modernos. Ninguém é de ninguém, ame e dê vexame, ciúme é apenas vaidade... Eu era jovem e confuso, me sentia culpado por não conseguir entender nem viver o amor livre. Queria uma namorada que ficasse só comigo, suprema caretice.
Não sei a quantas anda a coisa por aí, mas aqui no sul essa história nunca colou. Aqui vale o pragmatismo: amor livre na mulher dos outros é refresco. As pessoas não têm vergonha de querer exclusividade, sentir ciúme e fazer perguntas. Há uma distinção clara entre estar e não estar namorando, coisa que em nossa fluidez amazônica mal percebemos. Somos líquidos, não categorizamos tanto as coisas, vivemos os momentos, somos espontâneos. O problema é o seguinte: e os tímidos? E os que não conseguem conquistar as mulheres com tanta facilidade, como ficam no amor livre? Como eu ficava: perdidos, deslocados, sem entender bem o que acontecia.
Tímidos paraenses, esta é minha mensagem: não é pecado sentir ciúme (desde que não seja doentio!), não é errado querer namorar uma pessoa só. Não devemos dar ouvidos ao moralismo tradicional nem ao moralismo do amor livre. Amor é uma coisa muito pessoal: não há regras, não há um caminho único para toda a humanidade. As pessoas funcionam e amam de modos diferentes, não devemos sentir vergonha por ser como somos. É óbvio: quem não é bom na conquista, investe na profundidade e na complexidade do relacionamento. Quem é bom na conquista, fica se divertindo com ela e tem vantagens no amor livre. Cada um na sua, todos curtindo o delicioso Baré tutti-frutti com bolacha cremi cráquer.
Ah, tivesse eu pensado tudo isso quinze anos atrás!




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domingo, 13 de dezembro de 2009

Somos Geisy?

Pois o caso Geisy, ao invés de suscitar debates interessantes sobre os direitos individuais e o fascismo cotidiano, acabou virando um oba-oba sobre celebridades instantâneas. Resolvemos tudo bem à brasileira, com a futilidade predominando sobre a reflexão. Sim, acho que somso todos Geisys mesmo, jecas, deslumbrados e superficiais.


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NIT


Descobri na internet o N.I.T (brincadeira com Nietzsche), grupo misterioso de torcedores do Fluminense que se declaram nietzche-rodrigueanos. A sigla quer dizer Núcleo de Inteligência Tricolor, e muita gente boa faz parte. Será que existem outras associações parecidas em outros clubes? Eu, que perdi a fé no futebol, procuro uma luz. Um time que faça da filosofia sua aliada chama minha atenção. Cansado da paixão cega dos torcedores comuns, busco algo mais, algo que venha com bom humor e inteligência. Pesquisarei mais, mas por enquanto sou candidato a tricolor. E das laranjeiras.

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Buraco sem fundo



Amigos, o que está acontecendo em Belém? Outro bizarro episódio de nossa grotesca política está causando furor na mídia nacional. O prefeito da metrópole da Amazônia, criminoso reconhecido desde a época do diploma falso de medicina, parece que está sendo derrubado para dar lugar ao primo do Jader, é isso? Por Odin! Esta nossa terra nos dá um desgosto atrás de outro. Ainda bem que não vai ter copa do mundo para nós, seria uma vergonha mundial. Estamos há anos luz de ser uma democracia efetiva, na verdade estamos bem perto da idade média.
Se eu fosse Lúcio Flávio Pinto já teria me mandado para a Itália. Égua!




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domingo, 6 de dezembro de 2009

Bola murcha



O que é preciso para ter paixão por um time de futebol? Estar no campo, sentir-se parte de um organismo forte e vigoroso chamado torcida? Atribuir um significado mágico e glorioso a uma camisa, uma cor, um símbolo?
Em que esquina do caminho eu perdi isso tudo?
Quando a racionalidade começou a invadir sorrateiramente o mundo da paixão, e encher de perguntas um texto que antes só continha exclamações?
Quando a consciência do salário deles ficou tão importante?
Não sentirei eu falta de sentir dor e alegria legítimas por um time, ao invés desta curiosidade descompromissada?

Claro que não, né, mané!
Eles não pagam minhas contas no fim do mês nem têm nada a dizer sobre o filme da Coco Chanel. Eles não conhecem Dostoeivski, não assoviam canções do Echo & The Bunnymen nem me conseguem uns dias a mais de férias.
Estar cético sobre a paixão futebolística no Brasil é como ser ateu em um país ultra-católico como o México. É interessantíssimo! Revoltar-se contra a igreja no Brasil não é nada, eu quero ver é um homem adulto admitir que não se interessa por futebol. Esse sim merece meu respeito.



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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Alanismo é curiosidade


Durante a vida, várias vezes fui e serei chamado de hipócrita. Os que tão carinhosamente assim me chamam não conseguem conceber o que para mim é tão fácil, tão espontâneo: curiosidade. Ao deparar-me com pessoas, estilos de vida e culturas diferentes dos meus, minha primeira reação não é de rejeição, mas de curiosidade. Quero saber como o mundo funciona, como se formam diferentes maneiras de pensar, de agir, de sentir. Sempre fui assim, e estou bastante satisfeito assim sendo. Ora, para quem está acostumado a viver entrincheirado em uma posição, isso só pode soar como demagogia, hipocrisia e pieguice. “Que se interessar pelo diferente o quê, vai crescer, moleque!” E o moleque vai, cresce, mas continua sendo moleque.
Querer conhecer não significa não ter opinião, nem ser obrigado a gostar de tudo. Há coisas que não empolgam, evidentemente: Funk carioca, João Gilberto, filmes de ação, zumbis, paixão por um time, enfim, a gente sempre seleciona. Mas um dia eles também foram diferentes e estranhos, e eu prestei atenção a eles. Tiveram sua chance. Não me seduziram. Seguimos em frente, atrás de outras seduções. Seguimos sempre em frente no infinito processo de conhecimento e reconhecimento, que implica em se permitir dar uma chance. Curiosidade não é hipocrisia nem pieguice, é um modo de estar no mundo e manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.

Tomates



Acompanho os protestos contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil. A arriscada política externa do governo brasileiro está metida em justificáveis encrencas em Honduras e com a Itália, mas a aproximação com esse fascistóide é de difícil explicação. O que queremos? Nos tornar uma potência nuclear? Precisamos mesmo puxar o saco desse tipo de pessoa?
A bela cultura persa, cheia de mitologia, literatura e música não merece a deplorável situação em que se encontra. Terra de grandes diretores de cinema como Majid Majidi, Mohnsen Makhmalbaf e Abbas Kiarostami, o Irã é fortemente avesso à pluralidade de opiniões, e o dito presidente não tem vergonha de admitir que odeia homossexuais, judeus e mulheres. Tomate nele.



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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Constrangedor




Em casa, leio as confissões de Santo Agostinho. A TV sem som mostra um jogo entre Palmeiras e Sport Recife. De vez em quando um torcedor aparece em atitude passional: choro, desespero, alegria incontida, ódio.
Desde o ano passado uma sensação me acompanha quando vejo esse tipo de coisa: constrangimento. É simplesmente constrangedor ver adultos investindo tanta energia e paixão em vão.
Em alguns momentos de minha vida já entendi isso, e até já senti algum arrebatamento ante uma grande partida. Hoje em dia, apenas observo e fico com vergonha pelos torcedores. Comparo o salário deles com os dos jogadores e cartolas. Comparo o futebol a uma igreja milionária que se sustenta explorando a boa vontade dos fiéis.
Minhas igrejas são outras, já sabem. Imaginemos apenas, caros leitores, que belo país teríamos se essa energia toda que gastamos com os times, gastássemos com nossa educação, saúde, qualidade de vida, justiça social. Se essa indignação ante um impedimento mal marcado fosse transformada em indignação ante a miséria, a injustiça, o preconceito. Se vestíssemos a camisa de cidadãos ao invés da camisa de um time, que belo espetáculo faríamos. Seríamos de fato os melhores do mundo.
Sei que futebol é alienação e êxtase, mas confesso que o lado êxtase tem sido cada vez mais difícil de perceber, de sentir. Estou, pelo segundo ano consecutivo, me desfutebolizando.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Carnivàle


É o nome de uma série americana que parou no final da segunda temporada e não recebeu a devida atenção. De temática complexa e produção bem cuidada, mostra o dia a dia de um grupo de artistas nômades de um parque de diversões nos anos trinta, na época da depressão econômica. Há uma rica simbologia e um trabalho de direção muito bem conduzido, o que explica o status de cult que adquiriu nestes últimos anos. Confira aqui.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Reforma orto-grafica


O que acho da reforma ortografica: inutil, pois nao faz o serviço de verdade. O que melhoraria mesmo nossa linda lingua seria o que o genio de Monteiro Lobato concebeu ha quase um seculo: acabar com os acentos. Extermina-los sem piedade, varrer para a lixeira. Outras linguas se viram muitissimo bem sem essa tralha pesada e desengonçada.
“E o acento diferencial?”, dirao. Preocupação legitima, mas injustificada. O leitor e esperto o suficiente para entender os contextos das palavras, sem ficar dependendo de bengalas. Nao somos? Vejamos: “Ele para aqui para tomar um cafe”. Ficamos terrivelmente confusos com o exemplo? Sentimos falta de algo? A língua, como a sociedade, os organismos e tudo o mais, evoluem. Ficar se apegando a sinaizinhos eh bobagem, vamos em frente e o ultimo a sair paga a cerveja. Quer dizer, a cêrveja. Ou melhor, a cêrvéjà.
Reforma boa seria esta. Quem sabe nos livrando de futilidades ortograficas nao acabamos aos poucos nos livrando de outras futilidades mais prejudiciais.


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Nós todos somos Geisy


A barbárie está bem próxima de nós, se aproximando a cada dia, e não podemos ficar calados. O ódio avança, de mãos dadas com o desprezo e a cegueira.
Mulheres são nossas mães, nossas irmãs, amantes, amigas... Como podemos ter ódio por elas, que fazem parte de nossa vida? Como explicar tanto desprezo por metade da humanidade, nós que as desejamos tanto? O que se percebe do caso da garota da Uniban, Geisy, é o ódio mal disfarçado ao corpo da mulher, à liberdade da mulher. A horda de reacionários mostrou suas garras, os fascistinhas universitários mostraram ao mundo o quanto somos um país que tem sérios problemas. E que diz adorar as mulheres, desde que elas estejam sob nosso controle, e façam exatamente o que queremos e o que esperamos.
Muito triste ver que mecanismos de culpabilização da vítima estão bem vivos entre nós: no site do Terra, 45% dos internautas disseram que ela merecia ser punida. Ou seja, quase metade da população está flertando com o pensamento mais retrógrado possível. Algo como dizer que uma vítima de estupro merecia tal ato porque ela “provocou”.
O controle rigoroso sobre o corpo é um dos primeiros sintomas do fascismo. Nosso país é doente, muito doente, em várias esferas: econômica, ética, social, moral... Quero continuar a acreditar que nas ruas ensolaradas de Belém e Porto Alegre nossas belas garotas (ou gurias) vão continuar andando com suas saias e vestidos do tamanho que lhes convier, sem ser lixadas e ameaçadas por isso, seguindo um mecanismo muito básico: quem gostar, que olhe. Quem não gostar, que vire o rosto e vá remoer sua inveja e seus fantasmas.




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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

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Sim, estamos calados e um pouco assustados nesses meses estranhos. Nossa voz, ainda que frágil, esboça uma reação.





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