segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Seleção Uruguaia



Ter de um país inteiro a impressão superficial e alienante do futebol é uma grande limitação. Aqui neste blog estou montando minha seleção uruguaia, na qual não há jogadores. Há gente brilhante que ajudou a transformar este pequeno país em uma potência cultural em nosso continente. Sentem-se, tomem um mate, sintam o cheiro de uma bela parrillada e fiquem à vontade.
            No gol, defendendo todas, está Alfredo Zitarrosa, o maior cantor de milongas do mundo. Na zaga, sólida e barulhenta, tocam Pepe Guerra e Braulio Lopez, brilhantemente auxiliados por Daniel Viglietti. Um defesaço. Fazendo a ponte entre eles e o meio de campo vai o charme e a bela voz de Ana Prada.
            Meio de campo: Mario Benedetti, Eduardo Galeano, Juan Carlos Onetti. Quem já leu alguma coisa desse trio da pesada sabe do que estou falando.
            Ao ataque: Jorge Drexler, Jaime Roos e o artilheiro Ruben Rada, o rei do candombe. Nosso goleiro Machado de Assis vai ter problemas com esse ataque. Encerro com um significativo poema de Mario Benedetti chamado “A Ponte”, porque estou farto das falsas divisões e rivalidades banais do futebol. Quero mais pontes, quero mais mundo.
EL PUENTE
Para cruzarlo o para no cruzarlo
ahí está el puente
 en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país 
traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar
 vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
Ias tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra
 nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco
 ahí esta el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yo lo voy a cruzar
sin prevenciones
 en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país

                   (De Preguntas al azar – 1984-1985)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Festa uruguaia em Porto Alegre


Hoje em dia não temos uma banda dessa envergadura no Brasil. Com essa qualidade de música e letra, com um estilo próprio, desenvolvido ao longo de anos, com essa pegada. Estou falando dos uruguaios do Cuarteto de Nos, que após uma sólida carreira de quase três décadas e 12 discos lançados, tocaram pela primeira vez no Brasil ontem. Porto Alegre teve o privilégio de os receber, e nós de estar na platéia.
            A abertura dos Cartolas foi muito boa, mas a noite era do Cuarteto. Com a garra e a entrega comuns às bandas uruguaias e argentinas, eles já entraram “jogando em casa”: o público sabia todas, eu disse TODAS as letras, e berrava junto enlouquecido, com destaque para as clássicas da banda, e as do disco que os lançou internacionalmente em 2006, “Raro”. Bendita seja a internet, que nos permite ter acesso a esse tipo de coisa.
O espanhol, definitivamente, não é língua estrangeira, e Montevideo é mais uma capital brasileira. A ironia ácida das letras, a inteligência e a sutileza foram muito bem captadas pelo público de alto nível que compareceu ao show. A empatia com a brava nação uruguaia era evidente. Deu orgulho de morar nesta cidade, e sentir que nem só de porcaria vive o rock atual. O Cuarteto não é só a melhor banda de rock em atividade no Uruguai, é uma das melhores da América latina. Quem perdeu o show, dê um jeito de ouvir os caras com urgência. Podem começar por aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=y9LlnLTH87U
http://www.youtube.com/watch?v=rBJrvBxNHnc

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Astrologia é racismo


            
Os astrólogos estão confusos com a possibilidade de inclusão de um novo signo no zodíaco. Tudo mudaria, todas as certezas seriam abaladas. Quem era leão viraria touro, quem era peixes agora seria áries.
            Podemos aproveitar esse momento para refletir o quanto a astrologia é uma viagem, sem fundamento científico algum, e potencialmente perigosa. Um emaranhado de generalidades completamente arbitrárias que levam a supostas conclusões sobre a personalidade das pessoas de acordo com a posição dos astros no momento do nascimento. É divertido? Para alguns, pode ser. Mas na prática, quem leva a  astrologia a sério está agindo exatamente da mesma forma que os racistas e homofóbicos. Se do mero fato de que alguém nasceu em um signo podemos tirar conclusões a priori sobre as atitudes dessa pessoa, isso é o mesmo que dizer que alguém é assim ou assado porque é negro, porque é gay, porque é de tal e tal lugar.
            Enquanto passatempo de criança, a astrologia é engraçadinha. Mais que isso, é melhor acender o sinal de alerta, ou podemos ser atropelados por uma lua em capricórnio, uma estrela cadente em sagitário ou um sol em libra. 


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Vamos acodar, emergentes!



Neste país, uma das atitudes mais criticadas parece ser a de “posar de intelectual”. Dizer que não gosta de novela nem de big brother, que não ouve funk nem sertanejo, tudo isso pega muito mal: “metido a intelectual”, apontam o dedo na cara de quem ousar contradizer o gosto da maioria.
Acho que está na hora de sermos menos condescendentes com o senso comum. Não é vergonha nem pose forçada querer qualidade, querer sofisticação, querer lidar com produtos elaborados por gente que realmente domina o que faz. Se fazemos tanta questão de consumir produtos de qualidade em outras áreas, notadamente nos objetos, acessórios, roupas, o que nos impede de ser exigentes em relação aos produtos artísticos e midiáticos que consumimos?
            Se quero sapatos, computadores e celulares de qualidade, também quero livros, filmes, programas de TV e música de primeira. Se vou comprar um belo carro importado, no meu som vai rolar Beethoven, não vai ter sertanejo. Se meus óculos são caríssimos, é com eles que vou ver filmes e programas que não me tratem como idiota.
Nós, brasileiros, frequentemente nos contentamos com pouco em termos culturais. Agora que chegamos à classe C, que temos mais poder de consumo, está na hora de nos posicionarmos à altura. De começarmos do mais básico: perder o medo dos livros, pensar se realmente queremos ouvir exclusivamente músicas simplórias falando de amor e de festas, arriscar ver filmes um pouquinho mais elaborados. Não adianta chegar a um certo poder aquisitivo se nossos hábitos, nossa mentalidade e nossa (falta de) ética continuam lá em baixo.
Emergentes e vindos do subúrbio, sim, não temos como negar nossas origens. Ficar acomodados na mediocridade, jamais. 


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Novas Atividades


Caros leitores, andei algum tempo ausente cuidando de assuntos familiares e me dedicando à minha nova atividade como tradutor juramentado e intérprete comercial nomeado pela Junta Comercial do estado do Rio Grande do Sul (essa imagem do post é o meu logo). Estou divulgando meu trabalho neste blog aqui http://juramentadars.blogspot.com/,
caso precisem ou saibam quem precisa, é só entrar em contato.
Que tenhamos todos um grande 2011, com muito dinheiro, saúde, idéias, amor, música e paciência.


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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O futebol é nosso



Os foguetes estouram em Porto Alegre, as buzinas gritam loucamente: o Inter foi eliminado precocemente do mundial. Eu, que aqui torço pelo Grêmio, no entanto, não consigo ficar alegre. Eu, que desde criança nunca entendi nem senti as rivalidades regionais, fico perplexo e até um pouco triste.
Em Belém torcia pelo Paysandú, mas nada tinha na verdade contra o Remo, sempre torcia por eles em jogos contra times de outros estados. Eu não sei ficar alegre com o sofrimento alheio, portanto não sirvo para o futebol. Sou um torcedor de segunda categoria, que não entende bem as regras de atuação e de sentimento.
Sou professor, e enquanto o Inter vai jogando os alunos vão fazendo a prova final. O olhar de decepção e tristeza no rosto de um dos guris sintetiza tudo. Como ficar alegre com isso?
Minha maneira de gostar de futebol é estranha, foge dos padrões, mas eu sempre fui meio estranho e fora dos padrões, então tudo bem.
Só escrevo essas coisas para que outras pessoas que também não se encaixam na maneira dicotômica e maniqueísta corrente de se relacionar com o futebol saibam que não estão sozinhas. Podemos criar a relação que quisermos com tudo, podemos buzinar eufóricos, chorar de frustração, olhar com o canto do olho, ou ler uma partida como uma grande aula de filosofia. 


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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Natal para adultos II




Mais sobre Natal e magia: esqueci de dizer no post anterior que ao invés de ficar esperando que a magia aconteça, nós podemos arregaçar as mangas e criá-la. Ao invés de ficar esperando que nos façam felizes, podemos olhar ao redor e levar um pouco de sorriso e de felicidade às pessoas próximas. Não gosto do tom de auto-ajuda, mas sendo realista, a melhor maneira de não ficar triste é saindo do nosso próprio umbigo e prestando atenção aos pequenos e grandes desejos de quem está ao nosso lado. 



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Natal para adultos



Época de Natal: alegria, depressão, stress. Há tanta depressão no ar por alguns motivos simples: primeiro, a obrigação de estar alegre e curtindo a família. A maioria das famílias não são harmônicas e bem resolvidas. Família é lugar de conflitos, de gente que não tem afinidades, mas que é obrigada a conviver. Em um terreno tão difícil, ter a obrigação de estar feliz geralmente leva a tristeza e frustração.
Segundo, a expectativa pela magia. Os momentos mágicos ocorrem, sim, mas em geral sem data marcada. Quando agendados, a obrigação de que ocorram é outro fator depressivo e frustrante. Assistimos muitos filmes nos quais uma pessoa solitária acaba tendo momentos mágicos no Natal, e criamos a fantasia de que vai também acontecer conosco, e quando não ocorre...tristeza e desconsolo.
Resumindo, o que nos abate são as expectativas. Se aprendermos a lidar com os momentos mágicos sabendo que eles não têm data marcada, e sendo realistas sobre nossa relação com a família, daremos um grande passo para sobreviver ao Natal. 



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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Viva Vanusa!



Aqui vou resgatar a memória e a dignidade de Vanusa. Uma cantora brilhante, com um poder de interpretação único na música brasileira, que infelizmente acabou ficando famosa pelo infame incidente com o hino nacional. Assistam este vídeo, deliciem-se com a bela letra que ela mesma escreveu, e ouçam o discurso final sobre o tempo e o artista. Depois digam se a opinião que tinham sobre ela continua a mesma. Vanusa para sempre!


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Música e a falácia temporal

Tendemos a gostar do que escutamos quando adolescentes com mais passionalidade, mais emoção? Se os adolescentes caem na falácia temporal de achar que só o que é sucesso aqui e agora interessa, os adultos também se deixam seduzir pela mesma falácia ao admitir que gostam das músicas que escutavam quando adolescentes, e o que veio depois é só bobagem. Ficam presos aos “anos dourados”, cheios de nostalgia, e fecham os ouvidos ao que veio depois.

Proposta do Alanismo: abolir a falácia temporal. Chega de anos dourados e de aqui-agora. Todas as épocas e todos os lugares têm coisas maravilhosas e também têm lixo. O que conta é o quanto estamos curiosos, a fim de descobrir as coisas. Não existem épocas intrinsecamente melhores, existem situações que por algum motivo ou outro nos colocam em contato com certos tipos de sons.

Johnny Cash é genial desde os anos 50, mas aqui e agora temos Vítor Ramil, o maior compositor vivo da música brasileira (depois do Chico Buarque). Os Beatles foram maravilhosos, mas temos o Dengue Fever que também detona. Os exemplos são infinitos.
Todas as épocas são a minha época, todos os sons podem ser o meu som. Porque eu sou Alanista e eu quero muito mais. 


(como se tira esses diabos dessas setas antes dos parágrafos!)
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A música de que gostamos

Porque gostamos do que gostamos? Uma pergunta cuja resposta poderia render extensas teses de doutorado, e que tentaremos abordar aos poucos. Especificamente na música, para limitar o campo.
Primeiro, consideremos que nosso gosto não é “natural” nem espontâneo: é construído socialmente. Basicamente vamos aprendendo a selecionar entre as opções que temos, de acordo com nossas experiências pessoais. Curiosamente não nos interessamos pela música folclórica do Paquistão, mas ouvimos sem problema estilos musicais correntes no lugar e no tempo em que nos situamos.
Nosso gosto é delimitado historicamente, mas também há uma boa dose de subjetividade envolvida. Aquela canção especial naquele exato momento pode mudar nossa vida, sabemos muito bem. Mas o que nos levou a ter acesso àquela canção especial? O fato objetivo de que ela circula em alguma mídia capaz de chegar até nós.
Então esses dois aspectos são importantes na experiência musical: que condições permitem que tenhamos acesso a certos tipos de música, e como essa música interage com nossa subjetividade, nos fazendo responder a ela de maneiras diferentes.
Pensemos nisto por enquanto, e antes do próximo comentário escutarei uma banda húngara maravilhosa chamada Muzsikas, cuja vocalista Marta Sebestyen tem uma das vozes mais perfeitas que o ser humano já produziu. Como cheguei até eles? Uma amiga me emprestou o CD de uma banda na qual ela fazia uma participação especial. Escutem aqui, talvez vocês concordem, talvez sejam indiferentes, pois assim é a subjetividade. 


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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nós, a maioria


A grande maioria somos, de um modo ou de outro, “de fora”. Os totalmente incluídos e satisfeitos com o sistema e com os valores do senso comum brasileiro são bem poucos. Vejamos: mulheres são a metade da população. Negros, outros tantos. Homossexuais, mais um monte de gente. Nortistas e nordestinos, muitos milhões. Coloque aí os gordos, judeus, feios, tímidos, velhos, de óculos, mal vestidos e pobres e não sobra quase ninguém para arrotar superioridade. Somos todos meio estranhos, não é verdade? Que bom. Isso é o que nos faz bonitos.
Porque na verdade somos a maioria. Este país é nosso, não importa o quanto os que se acham machos brancos ricos sulistas heterossexuais atléticos jovens extrovertidos bem vestidos reclamem. Os muito enquadradinhos e perfeitinhos são uma minoria, e como toda minoria, devem ter seus direitos e sua dignidade respeitados. Um dia todos podem chegar a perceber que o que é diferente não é sempre feio ou inferior.
 Eu e meus amigos somos todos meio loucos, estranhos, cheios de idéias e criatividade, cheios de vontade de construir um mundo mais interessante.
As idéias, ações e exemplos partem de nós. A responsabilidade é grande, pois os reacionários e fascistas estão ganhando terreno e influenciando as novas gerações. Nós que somos referência de alguma maneira não podemos vacilar: bom humor, inteligência, competência e um profundo senso de ética são nossas armas, um mundo justo e plural nosso objetivo. 


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sábado, 6 de novembro de 2010

Sol tirano

Chega o verão no Sul: época difícil, de dores de cabeça, tontura, cansaço. Volta o sol tirano, com suas garras amarelas e seu mau humor. São nesses meses que temos que provar que somos bravos, que não nos deixamos abater. Serão meses de concentração, de sobrevivência, de superação. Até abril seremos testados, e não há espaço para vacilos.
No verão qualquer caminhada parece mais longa, qualquer esforço gigantesco. A boa cerveja some dos bares, e só resta essa comum aí, amarelada e aguada, que os brasileiros preferem. O salário diminui, os bons filmes somem dos cinemas, tudo fica mais difícil. Ficamos suados e fedorentos.
Mas não é época para lamentações, é época de guerra. E desta vez eu tenho munição pesada: um ar condicionado. Venha, então, tirano amarelo. Estamos prontos para mais essa batalha, até que o suave alívio do outono retorne. 


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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Diálogo e boa vontade



Os números falam por si: Dilma se elegeria mesmo sem os votos do Norte e do Nordeste. Veja aqui. Antes de sair pregando o ódio contra os pobres do país, é bom analisar o que dizem os dados. Ódio e preconceito só destroem, apenas a boa vontade e o diálogo nos fazem melhores. Não tenha raiva dos pobres, tenha raiva dos desonestos e dos canalhas.Não votei em Dilma, mas agora que ela está eleita, quero que ela conduza o país a mais crescimento e qualidade de vida para todos, exatamente o que desejaria se o eleito tivesse sido o Serra, porque o país é mais importante que os partidos. 



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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nem um nem outro


A histeria dos religiosos contra a Dilma quase me faz votar nela. Os evangélicos repudiam a candidata por que ela defenderia o aborto e a união do mesmo sexo, enquanto Serra não defenderia. Como eu defendo abertamente a união legal de casais do mesmo sexo, e como acho que o aborto deve ser uma questão de escolha exclusivamente feminina, na qual homem algum deve dar pitaco, dá até uma vontade de esquecer que pessoas como Jader Barbalho e José Sarney também apóiam Dilma.Além disso, esse discurso de "mãe" dos pobres é brega de doer.
Mas vou ficar na vontade, não vou votar até que apareça alguém com coragem de defender abertamente valores libertários, sem ter rabo preso nem com os antigos coronéis como a candidata em questão, nem com igrejas, como o Serra. (Será? E por quê diabos ele tem que se unir aos Democratas?)
 Este país e estes candidatos são muito família para mim. Eu sei, na vida há que se fazer concessões a tudo, amadurecer  é isso enfim ninguém vive isolado e tal e tal... Mas pelo menos votar ou não votar ainda escolhemos sozinhos. E até segunda ordem, o segundo turno para mim está bem branquinho.



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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vamos votar?



Hoje em dia parece que já não temos ânimo para discussões acaloradas sobre política. Os tempos em que a lenga-lenga de PT e anti-PT semeava discórdia entre amigos, familiares, colegas de trabalho, professores e alunos parecem ter ficado para trás. Estamos amadurecendo, ou entediados, ou temos mais o que fazer.
Apesar disso, vou me dar ao trabalho de escolher alguns candidatos e votar. Mesmo discordando da obrigatoriedade do voto, confesso que gosto de ir apertar uns botõezinhos de vez em quando, e torcer para que desta vez eles tragam gente competente, honesta e comprometida com o país. Se eu não fizer isto, os eleitores do Tiririca vão tomar conta, e eu ainda gosto deste país o suficiente para não querer que seja governado por essas criaturas.
Política não é algo divertido, não é apaixonante, não provoca grandes emoções. Mas é algo que interfere e muito em nossas vidas, então não podemos fingir que não existe. Nós, que temos alguns neurônios, temos que nos mexer e tentar fazer a coisa certa. 



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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

32 países de democracia duvidosa


São 32 países no mundo que ainda tratam seus cidadãos como gado, obrigando-os a votar. Desses, 50% (16) ficam na América Latina, e os outros espalhados pelos demais continentes. Na Bolívia a situação é tão ridícula que o cidadão pode ficar sem receber salário se não for votar. O Brasil faz parte dessa triste lista de países que confundem direitos com obrigações puníveis por lei caso não cumpridas. Democracia, aqui? Talvez, mas mais para não que para sim. Lista de países
Obrigar quem não tem noção nenhuma de política a votar é fazer com que as coisas continuem como estão, e que os coronéis, os candidatos caricatos e os que se colocam como “pais” e “mães” dos idiotas continuem se elegendo.
E tome Maluf, Collor, Sarney, Jáder, Duciomar e assemelhados no do povo. Nóis vota porque nóis gosta e nóis entende muito das coisa. 



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sábado, 11 de setembro de 2010

Nossos grandes amigos


Hoje, 11 de setembro, pessoas estão queimando livros pelo mundo. Pessoas fanáticas, cegas. Hoje eu proponho fazer carinho em um livro. Escolher um entre tantos de nossa coleção, aproveitar essa chuva que cai sobre Porto Alegre e folhear, cheirar, acariciar nossos grandes amigos. Mesmo que não concordemos como que dizem, os livros são nossos companheiros inseparáveis, nosso objeto de desejo, afeto e curiosidade. Mesmo quando defendem valores conservadores, reacionários, absurdos, eles merecem ser ouvidos. Hoje, dê um pouco de atenção aos amigos que te acompanham desde sempre, e que estarão contigo até o fim. 



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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Abaixo os coronéis

Cassaram a candidatura do dinossauro coronel Jader Barbalho ao senado. O dito coronel é há décadas uma vergonha para todo paraense, uma mostra de como somos semi-idiotas em se tratando de política. Somos tolerantes com as pessoas mais corruptas e grotescas, como o atual prefeito de Belém Duciomar, e tantos outros que nem vale a pena sujar esta página com seus nomes. Eu sou paraense, e nunca votei nem votarei em coronéis paternalistas nem em pessoas obviamente corruptas e de ficha suja.
Eu quero a social democracia escandinava em nosso estado. Eu quero competência, honestidade e comprometimento social. Quero Lúcio Flávio Pinto livre para escrever e publicar o que quiser. Será pedir demais? 



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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Chivas sem honra


Morando neste país parece impossível não falar de futebol. Analiso desta vez a merecida vitória do Inter na Libertadores, e a pouca dignidade do time do Chivas. Um time fraco, extremamente violento, que não respeitou sequer o hino nacional, e que atuou como mal perdedor. O caráter de um homem se revela nos momentos de dificuldade. Os jogadores do Chivas são medíocres como homens e como profissionais. Perderam sem honra nem dignidade, voltam ao México de cabeça baixa e merecidamente humilhados. Só que com os bolsos cheios, diferente da grande maioria de nós. 


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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Magia e ração de cachorro

A conquista da copa do Brasil pelo Santos sintetiza o que é o futebol: por um lado magia, superação, sonho. Por outro, ração de cachorro, torcedores coitados alimentando a fortuna de gente deslumbrada e arrogante, de moralidade suspeita e baixo nível de educação. Todos os times são assim, não apenas o Santos. Magia e alienação. Veneno e remédio. O que escolher?

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

O indivíduo, não a sociedade


Princípio fundador do Alanismo: o indivíduo é mais importante que a sociedade. A pessoa tem o direito, na verdade o dever, de compor sua identidade levando em consideração o meio cultural ao qual está exposta, mas com a liberdade de questioná-lo e ir buscar em outras fontes elementos que lhe interessem. Nascimento não é destino. O que importa não é de onde viemos, mas para onde vamos.
Assim, eu sendo de Belém posso me identificar mais com a cultura de Buenos Aires, e me apropriar dos elementos interessantes de lá. Claro que não tendo nascido e sido criado lá, necessariamente vou acrescentar a esta escolha minha criação amazônica, mas esse é o charme e a excitação de escolher seus próprios caminhos. Se a milonga me diz mais que o samba, é um direito meu. É um sentimento, uma afinidade. Se o rock me toca mais fundo que a bossa nova, ele é quem vai me compor. E se eu quiser mergulhar na literatura russa e no cinema da Escandinávia, ali mergulharei, e eles serão parte da bagagem invisível que carrego no mundo.
Os regionalismos me interessam apenas em perspectiva. O norte e o sul são apenas pontos de referência, mas meu território é bem mais amplo: é o mundo inteiro, é o que eu conseguir percorrer. Identidade é algo para ser sacudido e pendurado ao vento, e cada um de nós tem um mundo de possibilidades a escolher. Angustiante e excitante, como a vida.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Argentina na vanguarda de novo


Já falei bem da Argentina, mas vou ter que repetir. É que eles são, a partir desta semana, o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento gay. É isso aí, chega de hipocrisia e falso moralismo. O homossexualismo sempre existiu, e temos que lidar com o assunto de maneira adulta e democrática. Que o Brasil seja o próximo pelo menos, já que perdemos o primeiro lugar para eles. 


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sábado, 3 de julho de 2010

Viva a Argentina, sempre

Claro que fiquei feliz com a eliminação da Argentina na copa. Mas como esporte é esporte e vida é vida, lembro que na vida real somos muito mais próximos deles do que imaginamos. Política, geográfica e economicamente estamos próximos da Argentina. Eles têm uma literatura maravilhosa, uma música popular forte e vibrante, que vai muito além do tango: milongas, chacareras, chamamés, zambas...sem falar no rock deles, que desde os anos sessenta mostra consistência, variedade e profundidade. De cinema eles também entendem muito, e de gastronomia idem. O sistema de educação deles deixa o nosso no chinelo, e Buenos Aires é muito mais charmosa que qualquer capital brasileira.
Pena que não teremos a final de copa dos sonhos entre Brasil e Argentina. Nos resta torcer para o simpático vizinho Uruguai, e lembrar da sabedoria dos gaúchos, que conseguem um equilíbrio entre esses dois grandes países, como prova a canção de Wilsom Paim:

São duas pátrias festejando nesta dança
Repartindo a mesma herança, comungando a mesma rima
Disse o Sidinho que o Uruguai beija os nubentes
Une o casal continente, pai Brasil mãe Argentina



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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Ainda Dunga

Por questão de coerência, continuo apoiando meu vizinho Dunga. Ele montou um time competitivo, organizou a zorra que estava, cancelou os privilégios da Globo. Só isso já é um grande feito: tratar a Globo como um órgão de imprensa a mais, que não merece regalias só por ser mais poderosa. Além disso, ele ganhou a Copa América, a Copa das Confederações, e foi muito bem nas eliminatórias.
Tudo bem, não levou alguns grandes jogadores, mas a vida é feita de escolhas. E perdeu para a Holanda, um dos melhores times do mundo. Se tivesse vencido teria virado herói, mas como perdeu será execrado publicamente. Somos volúveis assim.
Dunga, Lúcio, Júlio César, Elano e outros tiveram uma grande copa, e devemos nos orgulhar deles. Há vitórias e derrotas na vida, mas o que importa é vencer ou perder com honra, e isso nós tivemos. Perdemos lutando até o fim.
Game over, voltamos à vida real e ao nosso longo e monótono campeonato brasileiro. Acho que vou me dedicar mais aos livros, filmes e música agora...

Viva a Argentina


          Amigos de Belém, tenho uma pergunta: há torcedores da Argentina por aí? Digo, brasileiros que torcem pela Argentina? Aqui no sul há alguns, e hoje eles estão bem felizes. Geralmente são pessoas que se acham européias, de sangue italiano. São bem reacionários e têm nojinho do Brasil por ser uma terra de gente preguiçosa e de pele escura.
            Provavelmente nunca leram Borges nem Roberto Arlt, não sabem o que é um bife de chorizo, não se deleitam nas livrarias da Avenida Corrientes, nunca ouviram uma canção de Luis Alberto Spinetta. Não é uma identificação com a cultura do país. É apenas uma afirmação da “raça” branca como superiora, e do mestiço como sujo. Algo que deixaria os próprios argentinos bastante surpresos, e que lhes causa gargalhadas quando descobrem. “Brasileños que hinchan por Argentina, ¡que boludos!”.
            São uma minoria, felizmente. A maioria ou não se interessa por futebol, ou torce pela seleção como nós, e não tem problemas com nossa mestiçagem tão latina.
            E aí no Norte, existem torcedores “do contra”? E qual seriam os motivos deles, já que ser “morenos” para nós nunca foi problema?



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quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Suécia amazônica II

Muito boas as últimas notícias: J. B., W. e D. na cadeia, pagando por todos os crimes que cometeram. Uma reforma total na política paraense, com a competência importando mais que as afiliações partidárias.
Excelentes as manchetes desta semana: L. F. P. ganhou todas as ações contra os M., e está recebendo uma indenização milionária.
Como é boa a política paraense! Tem o verdadeiro sabor de nossa gente! Égua!


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A Suécia amazônica


            
Nós, paraenses, somos um povo sofisticado. Nunca elegeríamos alguém que já cometeu qualquer tipo de fraude, como se passar por médico sem ter diploma. Uma afronta a qualquer bom senso. Também jamais permitiríamos que houvesse em nosso território algo tão infame quanto o trabalho escravo. Jamais. Outra coisa que nunca faríamos: permitir que a política seja feita por coronéis, no estilo mais bizarro e caricato que só a América latina sabe produzir. Repudiamos qualquer tipo de paternalismo e coronelismo na política. Queremos gente honesta, discreta e capaz.
            Quanto à convivência com os vizinhos, somos muito sensatos: sabemos que um trabalhador precisa descansar, então nunca tocamos música alta após as dez da noite. Também nosso excelente transporte público é silencioso, agradável e cheio de profissionais qualificados e muito bem educados. Respeitamos o silêncio nos ônibus, assim ninguém é obrigado a ouvir músicas de que não gosta.
            Tudo isso aliado à nossa estrutura de primeiro mundo de esgoto, água e coleta de lixo nos deixa aptos a receber qualquer evento como copa do mundo ou olimpíada. Somos limpos, organizados e bastante focados em tudo o que fazemos. Honramos nossas tradições cabanas, lemos nossos escritores com a devida atenção, sabemos nossa história com detalhes, e planejamos nosso futuro de maneira lúcida e altiva.
            Cuidamos muito bem de nossos times de futebol, com administrações competentes que os colocam sempre entre os melhores do país, levando apenas alegria às imensas torcidas.
            Em ano de eleição continuemos assim, essa verdadeira Suécia amazônica. 




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terça-feira, 29 de junho de 2010

Superstição não é só uma chatice: é um perigo

Tudo bem, estou torcendo pelo Brasil e envolvido no clima da copa. Mas o olho segue aberto para os exageros. Lembremos sempre: é só um jogo. E, muito importante: não importa o que façamos, não importa a cor de nossa cueca nem o lugar onde sentemos, não vamos influenciar o resultado do jogo. Só quem pode influenciar isso são os jogadores, o técnico, enfim, quem estiver diretamente envolvido.
Torcer, sim, mas entrar nessa obsessão midiática por coincidências e superstição não. O jogo quem ganha são os jogadores em campo, com esforço, técnica, garra. Só isso. Nós somos meros expectadores. Não importa o número de letras do nome de ninguém, nem o planetinha tal, nem a cor tal, nem a macumba tal. São os onze lá dentro do campo quem ganham, e nós aqui, torcemos. Simples assim.
Superstição é algo muito perigoso. Quem acredita e leva a sério a astrologia, por exemplo, não é muito diferente de um racista. Explico: pré-julgar alguém por ter nascido em tal signo é o mesmo que pré-julgar pela cor da pele. E não me venham com essa ladainha de que nós sempre pré-julgamos, não vamos desviar o foco aqui. Ter nossas opiniões é uma coisa, mas influenciar diretamente o projeto de vida de outra pessoa é bem diferente.
Imaginem gente deixando de conseguir um emprego porque o chefe não gosta do signo tal, ou porque a numerologia do nome do candidato não é auspiciosa. É o mesmo que não contratar um baita profissional pelo fato de ele ou ela ser gay ou negro, ou ter orelha de abano ou não gostar de doce de leite.
É chegado numa mandinga, irmão? Tudo bem, seja feliz. Há algo de folclórico e engraçado nisso, sem dúvida. Mas não deixe de ver a beleza e a complexidade das pessoas. Não deixe de duvidar, e de ter humildade para aceitar que muitas das coisas que acontecem podem não ter conexão causal entre si, ou estar simplesmente além de nossa capacidade de interferência. 

(Minha contribuição para o "Cala a boca, Galvão")
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dá-lhe, Dunga!


Como lidar com os gigantes? Nosso vizinho Dunga segue um caminho arriscado enfrentando os tubarões da todo-poderosa Globo. Bate de frente, chega para dividir, encara. Admiro o estilo dele. Direto, simples, objetivo e comprometido. Só que a Globo há décadas constrói a mentalidade de boa parte do país. Pode erguer ou destruir reputações. Mas cá ente nós, é muito bom quando alguém tem coragem de ir contra a Globo ou a CBF, não é? Quando alguém mostra a coragem que não temos. Dunga é o cara. Ganhando ou perdendo, não deve durar muito no comando, mas eu sei é que ele é o cara. Para ser meu maior ídolo agora só falta abrir a boca contra a corrupção e a total sujeira que há décadas dominam a CBF e esse tal presidente vitalício dela, cujo nome de tão sujo é melhor nem escrever. Queria ver o Dunga rugindo contra ele. 



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