sexta-feira, 25 de março de 2011

Viva o coronel


Pois aí está, a lei da ficha limpa só vale para a próxima eleição. Questão de ordem, eles defendem. Não dá para fazer as coisas assim, na bagunça. A lei tem que ser só para o ano seguinte ao da eleição em questão. Que país sério e organizado que somos, quanto orgulho em saber que cumprimos as leis de modo tão aplicado. Que bom saber que Jader Barbalho vai representar o orgulho e a dignidade do sábio povo paraense e brasileiro no congresso, ele não é um fofo? Ah, eu se ainda morasse aí na Barbalholândia teria votado nele, não é? Vocês são umas graças. Um beijão para vocês, é assim mesmo que se sai do terceiro mundo, valorizando nossos queridos coronéis. 
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quarta-feira, 23 de março de 2011

Paixões



Times de futebol despertam interesse, curiosidade, temas para debates filosóficos. O que desperta paixão são as mulheres, as obras de arte e o conhecimento. 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Mais gentileza


          
            Estava lendo sobre a tragédia no Japão, e me chamou a atenção o fato de que para cada notícia que abre comentários dos leitores há sempre gente xingando e ofendendo. Tudo o que acontece, tudo o que se faz é motivo de apedrejamento verbal. Se alguém quer ajudar as vítimas no Japão, vem alguém e ataca a pessoa porque ela não está ajudando a África. Se alguém defende os ciclistas atropelados em Porto Alegre, vai haver outra pessoa para defender o agressor, e assim por diante. A Internet é um campo aberto para a grosseria, as ofensas e os comentários superficiais.
            Aqui, vamos remar contra a corrente. Como já disse antes, estou cansado de gente que acha que ter atitude é falar o que vem à cabeça sem se importar com as conseqüências e com quem vai ser ofendido. Tudo bem, somos humanos, temos nossas preferências, eu já falei mal do sertanejo universitário, mas há limites. Ofender quem está ajudando as vítimas do Japão é além do limite. Agredir por agredir sem nem pensar antes é imaturo e só polui a Internet. A ofensa gratuita, que na vida real nos controlamos tanto para não cometer, na ponta dos dedos no teclado parece vir tão facilmente...
            Que ajudemos o Japão, sim. Que sigamos fazendo nossas coisas, sendo criativos, solidários e inovadores, e que os grosseiros inconseqüentes se intimidem, não nós. Gentileza gera gentileza. 

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quarta-feira, 9 de março de 2011

A grandeza de Porto Alegre



Mais uma vitória impressionante de um time que sempre surpreende: a conquista do primeiro turno do gauchão pelo Grêmio. O empate nos acréscimos, a garra e a capacidade de superação fizeram desta partida a melhor do ano até agora.
            Quanto ao Caxias, o time e a cidade, um detalhe: o único jogador que conseguiu marcar gol nas cobranças de pênalti deles era negro. Altivo, elegante, o único que se livrou do vexame. Lembro que quando visitei Caxias com um amigo aqui de Porto Alegre, ele estranhou sermos tão mal recebidos. Ninguém nos dava nem informação na rua! Nosso problema? Na época eu era cabeludo, e ele era e sempre será negro. Simplesmente. Um membro de uma das raças que tanto contribuiu e contribui para o que nosso país tem de melhor em tantas áreas, esnobado por lá por um detalhe desses.
O que desejo para Caxias é: que os seus melhores jogadores tenham a pele negra, reluzente, bela, épica. E que vocês um dia aprendam a lidar com isso, não só no futebol. Porto Alegre e o Grêmio (o Inter também) são grandes porque comportam gente de todos os jeitos, de todas as origens. Absorvem o que temos de melhor e nos ajudam a tornar o Rio Grande ainda maior. Porto Alegre é uma grande metrópole do Brasil e do mundo. Outras cidades que queiram esse posto têm de estar preparadas para a complexidade e a diversidade, ou então vão continuar sempre sendo provincianas e pequenas. 
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terça-feira, 8 de março de 2011

Quem inventou a natureza?


           Muita gente critica o homossexualismo por ser “anti-natural”. O que essas pessoas dizem, então, do fato de que em quase todas as espécies de animais ele existe, e não só quando há escassez de parceiros de outro sexo? Os animais, como os humanos, fazem isso porque gostam. Se existe com tanta freqüência na natureza, por que é anti-natural? 
A idéia de algo “natural” muitas vezes existe para justificar ações que são convenientes para determinados setores da sociedade e manter o status quo. Quem tem a autoridade de dizer o que é natural e o que não é? A quem foi dado o poder de legislar sobre, em última instância, o que é certo e errado? Será natural que as meninas gostem de rosa e queiram se vestir de princesas? E que os meninos gostem de carros e futebol? A natureza nos fez assim, ou só estamos mais uma vez tomando como natural algo que foi criado historicamente?
            Leiam este texto esclarecedor da revista Superinteressante sobre o tema. 
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quarta-feira, 2 de março de 2011

Sobre o funk carioca



Vamos lá, aproveitando o final das férias para mexer em casa de caba (“vespeiro” para os gaúchos), vou falar de funk carioca. Sim, ele mesmo, com suas popozudas e tchutchucas. Não vou malhar nem babar ovo, vou pensar a respeito.
O ritmo (ritmo mesmo, a batida, não o que o senso comum chama à melodia) é forte, e ouso dizer que é cativante. O funk tem um significado social bem claro também: é música de periferia que chegou à classe média, com todas as contradições possíveis. Eu, que sou emblemático em contradições, posso falar a respeito, já que venho da periferia mas sempre fui do rock, do cinema e da literatura.
Se o ritmo é forte, não se pode dizer o mesmo da parte instrumental. Não há arranjos sofisticados, é um som cru, sem refinamentos. As letras são agressivas, por vezes debochadas, chocantes. Algumas inclusive incitam ao crime e estão associadas a facções criminosas, que é o chamado “proibidão”. Há também demasiada repetição dos refrões para o meu gosto, o que deixa o ritmo meio monótono. A sexualidade é tratada de maneira explícita, sem rodeios nem metáforas: “cala a boca, não te espanta, eu vou gozar na tua garganta” que além de grosseira, é bem degradante para as mulheres - ou eu estou sendo ingênuo e perdendo algo da malandragem que faz com que muitas mulheres gostem e se identifiquem com esse tipo de letra.
Pensando bem, descubro que não gosto de letras com esse nível de grosseria, ainda acho que com sutileza se consegue mais impacto - tanto que os funks que consegui gostar são os mais light, como “se ela dança, eu danço” ou alguns do Claudinho e Buchecha. Para quem já foi punk na adolescência, é engraçado escrever essas coisas, mas o fato é que frases como “bate na palma da mão, balançando o popozão” estão tão longe da minha subjetividade quanto Chopin estava dos Sex Pistols. E eu não conseguiria me referir a uma mulher como “cachorra” com o tom de malandragem deles, é muito fora da minha realidade. Não é moralismo, é só uma subjetividade diferente. O funk americano me atinge bem mais, afinal é dele que vem o mestre James Brown, só que aí já é outro contexto.
Mas enfim, com um pouco mais de trabalho harmônico e umas letras menos rudes, daria para encarar. 
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Adeus Moacyr Scliar e Benedito Nunes



Domingo triste para o Pará e o Rio Grande do Sul: no mesmo dia perdemos Moacyr Scliar e Bendito Nunes.
Scliar eu lia desde adolescente, quando caiu em minhas mãos um exemplar de A balada do falso messias. Aqueles contos estranhos, aquela atmosfera quase surreal me cativaram logo, e nestes últimos vinte anos outros tantos livros do grande médico porto alegrense me fascinaram: O exército de um homem só, A guerra no Bonfim, A festa no castelo, A orelha de Van Gogh... De nosso mestre Benedito Nunes ficam suas profundas lições de filosofia e literatura – um dos poucos brasileiros que explicava Heidegger, um dos que iluminaram nossas leituras de Clarice Lispector.
            Tristeza de norte a sul, e o consolo de que em algum lugar além de nossa compreensão estas duas figuras geniais estão travando um diálogo daqueles, com a marca da cordialidade e da sabedoria que tanto os caracterizaram. 

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bate-boca amazônico

O que tenho a dizer sobre o bate-boca entre o Pará e o Amazonas é que Milton Hatoum é um tremendo escritor, que o Papão ganhou do Peñarol de Manaus lá dentro, e que todos tomamos tacacá e comemos cupuaçu, além de compartilharmos o mesmo rio, que é nossa grande estrada. 
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Gostos e respeitos

Sempre me questiono sobre o valor estético, o quanto ele é subjetivo e difícil de ser definido objetivamente. No post anterior expliquei que como o trabalho com a letra é muito importante segundo meus critérios musicais, os estilos que não privilegiam isso, para mim, são mais fracos. Por isso, o sertanejo universitário é esteticamente desprivilegiado em minha opinião. Isso não faz de mim nem melhor nem pior que ninguém, é só minha opinião, baseada em meus critérios. Outras pessoas podem dizer que letra é algo secundário, o que importa é o “ritmo” cativante e tudo bem, sejam felizes, mas meus critérios são bem claros: temos uma língua belíssima e muito rica, então vamos usá-la.Canção é letra e música, se desprezarmos um dos elementos, ela fica prejudicada.
Todos os estilos musicais podem conviver muito bem, sem ataques nem grosserias, se respeitarmos um princípio básico: não obrigar o vizinho a ouvir o que ele não quer, especialmente nos horários de silêncio. Mas escrever sobre o porquê de não gostarmos de um estilo específico acho válido como tentativa de compreensão dos critérios alheios, e talvez até como chance de ser questionado e entender o outro lado.
Agora vou encerrar e ouvir o fio de cabelo comprido, que já esteve grudado em nosso suor...
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Universitário" com muitas aspas

            É comum ter uma certa resistência ao escutarmos algo diferente, algo que quebra nossas expectativas. Precisamos de tempo para nos acostumar. Jazz, música clássica, certos tipos de rock, há muitos estilos que não são assimiláveis à primeira audição. Mas o que dizer do que causa repugnância pelo contrário, por ser monotonamente igual? É o caso do sertanejo “universitário” - As aspas vão porque não se consegue explicar exatamente o que há de universitário na coisa.
            Musicalmente é o sertanejo de sempre com uma roupagem pop, harmonias óbvias, refrões fáceis, tudo muito sem stress, visando claramente o sucesso comercial. As letras, sempre as letras, o que fazer. Para mim letra é parte essencial da canção, e sim, é muito importante ser criativo nas letras. Há quem discorde, mas eu sou viciado em palavras, adoro letras bem construídas. Então, não há como gostar dessa nova geração de sertanejo, nem entender porque diabos eles são “universitários” (e as aspas vão sempre). Paixão rimando com coração, festa rimando com diversão. E só. Os dois únicos temas que 90% da música popular consegue abordar, sempre de maneira burocrática e preguiçosa.
            Bem pouco, não é? Para a tradição da canção brasileira, bem pouco. Temos um século de canção popular, centenas de obras primas, dezenas de compositores geniais, e vamos abrir mão de tudo isso para ficar com esses caras? Que se dane Chico, esqueçamos Cartola, ao diabo com Renato Russo e Chico Science, quem quer saber de Noel Rosa e Cadão Volpato. Coração e paixão, viva a festa, é só o que conseguimos articular. E assim gaguejando, satisfeitos com tão pouco, vamos levando este país para a frente. Quem deixou essa geração passar no vestibular da música brasileira?



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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Itamar propõe voto de adultos


Finalmente um político tem a coragem de propor o fim do voto obrigatório. E é ele, quem diria, Itamar Franco. Tomara que passe, e que a próxima medida seja a redução drástica do número de deputados e senadores no congresso, assim como redução do salário deles. São centenas de sanguessugas mamando em nossos impostos, uma grande vergonha para um país que acha que está se tornando primeiro mundo. Estamos um pouco melhores, mas ainda muito, muito longe de ter uma democracia decente. Ainda estamos discutindo o básico do básico, que é a obrigatoriedade do voto. Nunca pensei que diria isso, mas desta vez Estamos com Itamar Franco!



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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Candombe

Aí estou eu, feliz e desajeitado, batucando o “Candombe del mucho palo” dos Olimareños. (o segundo da esquerda para a direita)



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Passo

Da série "Alanismo também é poesia":

Eu andei em todas as aves, corri sobre lençóis
Escorreguei roliço na camada entre os olhos e o franzir do cenho
No centro do salão de baile
Fiquei imóvel e silencioso
Na multidão da Rua da Praia
Agi como cachorro assustado, gritei por nada
Quem me julgou agora atira dinheiro pela janela
Quem me acolheu ajeita as flores no vaso branco
Eu finjo que me importo: com isso e aquilo
Finjo esquecer o que dizem sempre
E fingindo, se cresce e se civiliza
Passo por branco e por sério
Mas a floresta em mim sorri, e vou à caça
Porque tudo é caça neste tempo
Quase tudo
Passo por isso e por aquilo
Porque passar é o que se faz
E elaboro receitas novas para as festas de poucos convidados

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Novo blog em inglês

            Meus caros, novidades: O Guamundo está se expandindo. A partir deste mês estou desenvolvendo um blog em inglês chamado “The Wanderings of Curupira”, no qual sigo mais ou menos a linha deste aqui, só que com os olhos ainda mais voltados ao mundo. Lá eu não explico o nome, mas aqui entre nós digo que é uma referência ao belo poema “The wanderings of Oisin” de W. B. Yeats, com nosso toque amazônico. Vamos para o mundo, mas ficamos aqui em Belém e Porto Alegre, sobrevivendo a este verão. See you all there. http://wandercurupira.blogspot.com/

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Seleção Uruguaia



Ter de um país inteiro a impressão superficial e alienante do futebol é uma grande limitação. Aqui neste blog estou montando minha seleção uruguaia, na qual não há jogadores. Há gente brilhante que ajudou a transformar este pequeno país em uma potência cultural em nosso continente. Sentem-se, tomem um mate, sintam o cheiro de uma bela parrillada e fiquem à vontade.
            No gol, defendendo todas, está Alfredo Zitarrosa, o maior cantor de milongas do mundo. Na zaga, sólida e barulhenta, tocam Pepe Guerra e Braulio Lopez, brilhantemente auxiliados por Daniel Viglietti. Um defesaço. Fazendo a ponte entre eles e o meio de campo vai o charme e a bela voz de Ana Prada.
            Meio de campo: Mario Benedetti, Eduardo Galeano, Juan Carlos Onetti. Quem já leu alguma coisa desse trio da pesada sabe do que estou falando.
            Ao ataque: Jorge Drexler, Jaime Roos e o artilheiro Ruben Rada, o rei do candombe. Nosso goleiro Machado de Assis vai ter problemas com esse ataque. Encerro com um significativo poema de Mario Benedetti chamado “A Ponte”, porque estou farto das falsas divisões e rivalidades banais do futebol. Quero mais pontes, quero mais mundo.
EL PUENTE
Para cruzarlo o para no cruzarlo
ahí está el puente
 en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país 
traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar
 vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
Ias tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra
 nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco
 ahí esta el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yo lo voy a cruzar
sin prevenciones
 en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país

                   (De Preguntas al azar – 1984-1985)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Festa uruguaia em Porto Alegre


Hoje em dia não temos uma banda dessa envergadura no Brasil. Com essa qualidade de música e letra, com um estilo próprio, desenvolvido ao longo de anos, com essa pegada. Estou falando dos uruguaios do Cuarteto de Nos, que após uma sólida carreira de quase três décadas e 12 discos lançados, tocaram pela primeira vez no Brasil ontem. Porto Alegre teve o privilégio de os receber, e nós de estar na platéia.
            A abertura dos Cartolas foi muito boa, mas a noite era do Cuarteto. Com a garra e a entrega comuns às bandas uruguaias e argentinas, eles já entraram “jogando em casa”: o público sabia todas, eu disse TODAS as letras, e berrava junto enlouquecido, com destaque para as clássicas da banda, e as do disco que os lançou internacionalmente em 2006, “Raro”. Bendita seja a internet, que nos permite ter acesso a esse tipo de coisa.
O espanhol, definitivamente, não é língua estrangeira, e Montevideo é mais uma capital brasileira. A ironia ácida das letras, a inteligência e a sutileza foram muito bem captadas pelo público de alto nível que compareceu ao show. A empatia com a brava nação uruguaia era evidente. Deu orgulho de morar nesta cidade, e sentir que nem só de porcaria vive o rock atual. O Cuarteto não é só a melhor banda de rock em atividade no Uruguai, é uma das melhores da América latina. Quem perdeu o show, dê um jeito de ouvir os caras com urgência. Podem começar por aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=y9LlnLTH87U
http://www.youtube.com/watch?v=rBJrvBxNHnc

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Astrologia é racismo


            
Os astrólogos estão confusos com a possibilidade de inclusão de um novo signo no zodíaco. Tudo mudaria, todas as certezas seriam abaladas. Quem era leão viraria touro, quem era peixes agora seria áries.
            Podemos aproveitar esse momento para refletir o quanto a astrologia é uma viagem, sem fundamento científico algum, e potencialmente perigosa. Um emaranhado de generalidades completamente arbitrárias que levam a supostas conclusões sobre a personalidade das pessoas de acordo com a posição dos astros no momento do nascimento. É divertido? Para alguns, pode ser. Mas na prática, quem leva a  astrologia a sério está agindo exatamente da mesma forma que os racistas e homofóbicos. Se do mero fato de que alguém nasceu em um signo podemos tirar conclusões a priori sobre as atitudes dessa pessoa, isso é o mesmo que dizer que alguém é assim ou assado porque é negro, porque é gay, porque é de tal e tal lugar.
            Enquanto passatempo de criança, a astrologia é engraçadinha. Mais que isso, é melhor acender o sinal de alerta, ou podemos ser atropelados por uma lua em capricórnio, uma estrela cadente em sagitário ou um sol em libra. 


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Vamos acodar, emergentes!



Neste país, uma das atitudes mais criticadas parece ser a de “posar de intelectual”. Dizer que não gosta de novela nem de big brother, que não ouve funk nem sertanejo, tudo isso pega muito mal: “metido a intelectual”, apontam o dedo na cara de quem ousar contradizer o gosto da maioria.
Acho que está na hora de sermos menos condescendentes com o senso comum. Não é vergonha nem pose forçada querer qualidade, querer sofisticação, querer lidar com produtos elaborados por gente que realmente domina o que faz. Se fazemos tanta questão de consumir produtos de qualidade em outras áreas, notadamente nos objetos, acessórios, roupas, o que nos impede de ser exigentes em relação aos produtos artísticos e midiáticos que consumimos?
            Se quero sapatos, computadores e celulares de qualidade, também quero livros, filmes, programas de TV e música de primeira. Se vou comprar um belo carro importado, no meu som vai rolar Beethoven, não vai ter sertanejo. Se meus óculos são caríssimos, é com eles que vou ver filmes e programas que não me tratem como idiota.
Nós, brasileiros, frequentemente nos contentamos com pouco em termos culturais. Agora que chegamos à classe C, que temos mais poder de consumo, está na hora de nos posicionarmos à altura. De começarmos do mais básico: perder o medo dos livros, pensar se realmente queremos ouvir exclusivamente músicas simplórias falando de amor e de festas, arriscar ver filmes um pouquinho mais elaborados. Não adianta chegar a um certo poder aquisitivo se nossos hábitos, nossa mentalidade e nossa (falta de) ética continuam lá em baixo.
Emergentes e vindos do subúrbio, sim, não temos como negar nossas origens. Ficar acomodados na mediocridade, jamais. 


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Novas Atividades


Caros leitores, andei algum tempo ausente cuidando de assuntos familiares e me dedicando à minha nova atividade como tradutor juramentado e intérprete comercial nomeado pela Junta Comercial do estado do Rio Grande do Sul (essa imagem do post é o meu logo). Estou divulgando meu trabalho neste blog aqui http://juramentadars.blogspot.com/,
caso precisem ou saibam quem precisa, é só entrar em contato.
Que tenhamos todos um grande 2011, com muito dinheiro, saúde, idéias, amor, música e paciência.


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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O futebol é nosso



Os foguetes estouram em Porto Alegre, as buzinas gritam loucamente: o Inter foi eliminado precocemente do mundial. Eu, que aqui torço pelo Grêmio, no entanto, não consigo ficar alegre. Eu, que desde criança nunca entendi nem senti as rivalidades regionais, fico perplexo e até um pouco triste.
Em Belém torcia pelo Paysandú, mas nada tinha na verdade contra o Remo, sempre torcia por eles em jogos contra times de outros estados. Eu não sei ficar alegre com o sofrimento alheio, portanto não sirvo para o futebol. Sou um torcedor de segunda categoria, que não entende bem as regras de atuação e de sentimento.
Sou professor, e enquanto o Inter vai jogando os alunos vão fazendo a prova final. O olhar de decepção e tristeza no rosto de um dos guris sintetiza tudo. Como ficar alegre com isso?
Minha maneira de gostar de futebol é estranha, foge dos padrões, mas eu sempre fui meio estranho e fora dos padrões, então tudo bem.
Só escrevo essas coisas para que outras pessoas que também não se encaixam na maneira dicotômica e maniqueísta corrente de se relacionar com o futebol saibam que não estão sozinhas. Podemos criar a relação que quisermos com tudo, podemos buzinar eufóricos, chorar de frustração, olhar com o canto do olho, ou ler uma partida como uma grande aula de filosofia. 


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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Natal para adultos II




Mais sobre Natal e magia: esqueci de dizer no post anterior que ao invés de ficar esperando que a magia aconteça, nós podemos arregaçar as mangas e criá-la. Ao invés de ficar esperando que nos façam felizes, podemos olhar ao redor e levar um pouco de sorriso e de felicidade às pessoas próximas. Não gosto do tom de auto-ajuda, mas sendo realista, a melhor maneira de não ficar triste é saindo do nosso próprio umbigo e prestando atenção aos pequenos e grandes desejos de quem está ao nosso lado. 



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Natal para adultos



Época de Natal: alegria, depressão, stress. Há tanta depressão no ar por alguns motivos simples: primeiro, a obrigação de estar alegre e curtindo a família. A maioria das famílias não são harmônicas e bem resolvidas. Família é lugar de conflitos, de gente que não tem afinidades, mas que é obrigada a conviver. Em um terreno tão difícil, ter a obrigação de estar feliz geralmente leva a tristeza e frustração.
Segundo, a expectativa pela magia. Os momentos mágicos ocorrem, sim, mas em geral sem data marcada. Quando agendados, a obrigação de que ocorram é outro fator depressivo e frustrante. Assistimos muitos filmes nos quais uma pessoa solitária acaba tendo momentos mágicos no Natal, e criamos a fantasia de que vai também acontecer conosco, e quando não ocorre...tristeza e desconsolo.
Resumindo, o que nos abate são as expectativas. Se aprendermos a lidar com os momentos mágicos sabendo que eles não têm data marcada, e sendo realistas sobre nossa relação com a família, daremos um grande passo para sobreviver ao Natal. 



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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Viva Vanusa!



Aqui vou resgatar a memória e a dignidade de Vanusa. Uma cantora brilhante, com um poder de interpretação único na música brasileira, que infelizmente acabou ficando famosa pelo infame incidente com o hino nacional. Assistam este vídeo, deliciem-se com a bela letra que ela mesma escreveu, e ouçam o discurso final sobre o tempo e o artista. Depois digam se a opinião que tinham sobre ela continua a mesma. Vanusa para sempre!


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Música e a falácia temporal

Tendemos a gostar do que escutamos quando adolescentes com mais passionalidade, mais emoção? Se os adolescentes caem na falácia temporal de achar que só o que é sucesso aqui e agora interessa, os adultos também se deixam seduzir pela mesma falácia ao admitir que gostam das músicas que escutavam quando adolescentes, e o que veio depois é só bobagem. Ficam presos aos “anos dourados”, cheios de nostalgia, e fecham os ouvidos ao que veio depois.

Proposta do Alanismo: abolir a falácia temporal. Chega de anos dourados e de aqui-agora. Todas as épocas e todos os lugares têm coisas maravilhosas e também têm lixo. O que conta é o quanto estamos curiosos, a fim de descobrir as coisas. Não existem épocas intrinsecamente melhores, existem situações que por algum motivo ou outro nos colocam em contato com certos tipos de sons.

Johnny Cash é genial desde os anos 50, mas aqui e agora temos Vítor Ramil, o maior compositor vivo da música brasileira (depois do Chico Buarque). Os Beatles foram maravilhosos, mas temos o Dengue Fever que também detona. Os exemplos são infinitos.
Todas as épocas são a minha época, todos os sons podem ser o meu som. Porque eu sou Alanista e eu quero muito mais. 


(como se tira esses diabos dessas setas antes dos parágrafos!)
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A música de que gostamos

Porque gostamos do que gostamos? Uma pergunta cuja resposta poderia render extensas teses de doutorado, e que tentaremos abordar aos poucos. Especificamente na música, para limitar o campo.
Primeiro, consideremos que nosso gosto não é “natural” nem espontâneo: é construído socialmente. Basicamente vamos aprendendo a selecionar entre as opções que temos, de acordo com nossas experiências pessoais. Curiosamente não nos interessamos pela música folclórica do Paquistão, mas ouvimos sem problema estilos musicais correntes no lugar e no tempo em que nos situamos.
Nosso gosto é delimitado historicamente, mas também há uma boa dose de subjetividade envolvida. Aquela canção especial naquele exato momento pode mudar nossa vida, sabemos muito bem. Mas o que nos levou a ter acesso àquela canção especial? O fato objetivo de que ela circula em alguma mídia capaz de chegar até nós.
Então esses dois aspectos são importantes na experiência musical: que condições permitem que tenhamos acesso a certos tipos de música, e como essa música interage com nossa subjetividade, nos fazendo responder a ela de maneiras diferentes.
Pensemos nisto por enquanto, e antes do próximo comentário escutarei uma banda húngara maravilhosa chamada Muzsikas, cuja vocalista Marta Sebestyen tem uma das vozes mais perfeitas que o ser humano já produziu. Como cheguei até eles? Uma amiga me emprestou o CD de uma banda na qual ela fazia uma participação especial. Escutem aqui, talvez vocês concordem, talvez sejam indiferentes, pois assim é a subjetividade. 


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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nós, a maioria


A grande maioria somos, de um modo ou de outro, “de fora”. Os totalmente incluídos e satisfeitos com o sistema e com os valores do senso comum brasileiro são bem poucos. Vejamos: mulheres são a metade da população. Negros, outros tantos. Homossexuais, mais um monte de gente. Nortistas e nordestinos, muitos milhões. Coloque aí os gordos, judeus, feios, tímidos, velhos, de óculos, mal vestidos e pobres e não sobra quase ninguém para arrotar superioridade. Somos todos meio estranhos, não é verdade? Que bom. Isso é o que nos faz bonitos.
Porque na verdade somos a maioria. Este país é nosso, não importa o quanto os que se acham machos brancos ricos sulistas heterossexuais atléticos jovens extrovertidos bem vestidos reclamem. Os muito enquadradinhos e perfeitinhos são uma minoria, e como toda minoria, devem ter seus direitos e sua dignidade respeitados. Um dia todos podem chegar a perceber que o que é diferente não é sempre feio ou inferior.
 Eu e meus amigos somos todos meio loucos, estranhos, cheios de idéias e criatividade, cheios de vontade de construir um mundo mais interessante.
As idéias, ações e exemplos partem de nós. A responsabilidade é grande, pois os reacionários e fascistas estão ganhando terreno e influenciando as novas gerações. Nós que somos referência de alguma maneira não podemos vacilar: bom humor, inteligência, competência e um profundo senso de ética são nossas armas, um mundo justo e plural nosso objetivo. 


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sábado, 6 de novembro de 2010

Sol tirano

Chega o verão no Sul: época difícil, de dores de cabeça, tontura, cansaço. Volta o sol tirano, com suas garras amarelas e seu mau humor. São nesses meses que temos que provar que somos bravos, que não nos deixamos abater. Serão meses de concentração, de sobrevivência, de superação. Até abril seremos testados, e não há espaço para vacilos.
No verão qualquer caminhada parece mais longa, qualquer esforço gigantesco. A boa cerveja some dos bares, e só resta essa comum aí, amarelada e aguada, que os brasileiros preferem. O salário diminui, os bons filmes somem dos cinemas, tudo fica mais difícil. Ficamos suados e fedorentos.
Mas não é época para lamentações, é época de guerra. E desta vez eu tenho munição pesada: um ar condicionado. Venha, então, tirano amarelo. Estamos prontos para mais essa batalha, até que o suave alívio do outono retorne. 


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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Diálogo e boa vontade



Os números falam por si: Dilma se elegeria mesmo sem os votos do Norte e do Nordeste. Veja aqui. Antes de sair pregando o ódio contra os pobres do país, é bom analisar o que dizem os dados. Ódio e preconceito só destroem, apenas a boa vontade e o diálogo nos fazem melhores. Não tenha raiva dos pobres, tenha raiva dos desonestos e dos canalhas.Não votei em Dilma, mas agora que ela está eleita, quero que ela conduza o país a mais crescimento e qualidade de vida para todos, exatamente o que desejaria se o eleito tivesse sido o Serra, porque o país é mais importante que os partidos. 



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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Nem um nem outro


A histeria dos religiosos contra a Dilma quase me faz votar nela. Os evangélicos repudiam a candidata por que ela defenderia o aborto e a união do mesmo sexo, enquanto Serra não defenderia. Como eu defendo abertamente a união legal de casais do mesmo sexo, e como acho que o aborto deve ser uma questão de escolha exclusivamente feminina, na qual homem algum deve dar pitaco, dá até uma vontade de esquecer que pessoas como Jader Barbalho e José Sarney também apóiam Dilma.Além disso, esse discurso de "mãe" dos pobres é brega de doer.
Mas vou ficar na vontade, não vou votar até que apareça alguém com coragem de defender abertamente valores libertários, sem ter rabo preso nem com os antigos coronéis como a candidata em questão, nem com igrejas, como o Serra. (Será? E por quê diabos ele tem que se unir aos Democratas?)
 Este país e estes candidatos são muito família para mim. Eu sei, na vida há que se fazer concessões a tudo, amadurecer  é isso enfim ninguém vive isolado e tal e tal... Mas pelo menos votar ou não votar ainda escolhemos sozinhos. E até segunda ordem, o segundo turno para mim está bem branquinho.



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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vamos votar?



Hoje em dia parece que já não temos ânimo para discussões acaloradas sobre política. Os tempos em que a lenga-lenga de PT e anti-PT semeava discórdia entre amigos, familiares, colegas de trabalho, professores e alunos parecem ter ficado para trás. Estamos amadurecendo, ou entediados, ou temos mais o que fazer.
Apesar disso, vou me dar ao trabalho de escolher alguns candidatos e votar. Mesmo discordando da obrigatoriedade do voto, confesso que gosto de ir apertar uns botõezinhos de vez em quando, e torcer para que desta vez eles tragam gente competente, honesta e comprometida com o país. Se eu não fizer isto, os eleitores do Tiririca vão tomar conta, e eu ainda gosto deste país o suficiente para não querer que seja governado por essas criaturas.
Política não é algo divertido, não é apaixonante, não provoca grandes emoções. Mas é algo que interfere e muito em nossas vidas, então não podemos fingir que não existe. Nós, que temos alguns neurônios, temos que nos mexer e tentar fazer a coisa certa. 



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