
Agora que o outono chegou. Agora que o vento é suave no rosto, e a roupa fica mais pesada. Agora que os mais belos dias, aqueles com sol e frio, pedem licença para cobrir de folhas nossos tapetes. Agora que a atenção é contida, o olhar é espesso e a alma é grande. Agora que muito mais, lembramos enfim como pode ser agradável estar no Sul.
O Norte é a origem, a fonte, o mistério profundo e vasto. O Sul é o alívio, a ordem, a contenção necessária, o gesto preciso. Eu, ambos e nenhum. Trago comigo a espontaneidade (ainda?), o bom humor e o espírito nômade do Norte. Mas trago também um pouco de ordem, de disciplina, de rigor, precisão, leveza e melancolia da estética do frio. Talvez eu seja apenas Minas. Talvez um turco na Irlanda, um Nigeriano brincando nas ruas de Budapeste, um chinês em Pindamonhangaba.
Agora que o calor dá uma trégua, que se pode até entender que se goste do sol (será um deus o sol?). Agora é hora de abrir aquele vinho, tirar o Cortázar da prateleira, carregar o mp3 com discos do Spinetta e passear outra vez com Vítor Ramil pelas sete cidades da Milonga.